Vários – SRD – A Melhor Música dos Anos 60 (1988)

A Melhor Música dos Anos 60

Resenha da Coleção A Melhor Música Dos Anos 60

A Melhor Música Dos Anos 60. A década de 1960 constituiu-se em um período de grandes mudanças, tanto no Brasil quanto no mundo. Inúmeras transformações foram promovidas nas estruturas produtiva e social, nos comportamentos políticos e nas manifestações culturais. Um período de fato revolucionário.

Pois agora, o Baú de Long Playing traz de volta uma parcela bastante representativa do que foi sucesso na música popular internacional dessa década. É a coleção “A Melhor Música Dos Anos 60”, mais uma bem cuidada produção da revista “Seleções do Reader’s Digest”, lançada em 1988, e que só foi comercializada por mala direta em Portugal. Quer dizer, a Borges & Damasceno, que então vendia os produtos de “Seleções” entre nós, nem sequer se lembrou de trazer esse álbum para o Brasil. O BLP já havia apresentado a coleção em postagens individuais, e agora a traz de volta completa. Por certo, uma repostagem muito solicitada por aqueles que prestigiam este blog, dada a qualidade do repertório e dos intérpretes, com masters cedidos por gravadoras diversas, a exemplo das compilações produzidas e lançadas pela Som Livre no Brasil, além de reavivar as lembranças de quem ouviu essas músicas todas pela primeira vez, e jamais as esqueceu. E quanta coisa boa eles selecionaram aqui…

Dentro da tradição de unir quantidade e qualidade, como era praxe nas coleções de discos editadas pela “Reader’s Digest” a nível mundial, este vasto e expressivo retrospecto dos anos 60 compõe-se de dez LPs, cada um correspondendo a um ano da década e com 12 faixas (no total, 120), um primor em matéria de organização, convenhamos. O primeiro disco traz os hits de 1960, com destaque para “Oh Carol” (Neil Sedaka), “Apache” (The Shadows, coverizada no Brasil pelos Jordans e pelos Jet Blacks), “Theme from a summer place” (do filme “Amores clandestinos”, na famosa gravação da orquestra do maestro canadense Percy Faith), “Marina” (rumba composta e interpretada pelo ítalo-belga Rocco Granatta) e “Three steps to heaven” (Eddie Cochran). “Personality”, sucesso originalmente com Lloyd Price, é aqui interpretada por Sacha Distel. Completando o programa, performances de Shirley Bassey (“As long as he needs me”), Johnny Hallyday (“Souvenirs, souvenirs”), do luxemburguês Camillo Felgen (“Sag warum”) , Adam Faith (“Poor me”), Cliff Richard (“I love you”) e da imortal Edith Piaf (“Non je ne regrette rien”). Alguns desses intérpretes também estão nos volumes seguintes.

O volume 2 é dedicado ao ano de 1961, e o maior destaque fica por conta de Gilbert Becaud, com o clássico “Et maintenant”, mas, evidentemente, tem muito mais coisa boa. “Let’s twist again”,outro clássico, este de Chubby Checker, aqui vem com Richard Anthony, e voltam Johnny Hallyday, desta vez com “Vien danser le twist”, e Cliff Richard, com “When the girl in your arms”. A não menos clássica “Moon river”, do filme “Bonequinha de luxo (Breakfast at Tiffany’s)”, é aqui interpretada por Danny Williams. O cardápio ainda inclui a britânica Helen Shapiro (“Walking back to happiness”), Fats Domino (“I’m ready”), Johnny Burnette (“You’re sixteen”), o quarteto do pianista Dave Brubeck (“Take five”), Eden Kane (“When I ask you”), Les Chauts Sauvages (“Twist a St. Tropez”) e Pat Boone (“Johnny Will”).
O terceiro LP, focalizando o ano de 1962, abre com “Telstar”, do britânico Joe Meek, composta para saudar o lançamento do primeiro satélite mundial de comunicação, o Telstar I, na gravação original do grupo The Tornados, um grande sucesso na época. Tony Bennett aqui comparece com seu eterno carro-chefe, “I left my heart in San Francisco”. A britânica Petula Clark vem com o original em francês de “Chariot”, composta sob pseudônimo pelos maestros Paul Mauriat (Del Roma) e Franck Pourcel (J. W. Stole), com letra de Jacques Planté. Mais tarde, a música recebeu versão em inglês, com o título de “I will follow him”, que Petula também gravou, assim como a norte-americana Peggy March. A francesa Françoise Hardy interpreta outro clássico, “Tous les garçons let les filles”, do qual é co-autora. E temos ainda mais dois clássicos: “The locomotion” (no original de Little Eva) e “Walk on by” (originalmente sucesso de Dionne Warwick, aqui com Leroy van Dyke). Cliff Richard, de novo presente, interpreta “The Young ones” e “Bachelor boy”, e Les Chats Sauvages retornam com “Derniers baisers”. Outra que volta aqui é Shirley Bassey, com “Tonight”. O programa se completa com Bobby Vee (“Run to him”) e The Shadows, que aqui retornam executando “Guitar tango”.

O quarto volume apresenta hits de 1963, e abre com “Do you want to know a secret?”, originalmente sucesso dos Beatles, e aqui numa bem-sucedida releitura de Billy J. Kramer and The Dakotas, gravada logo em seguida. A “surf music” se faz presente com os clássicos “Surfin’ USA”, dos Beach Boys, e “Si javais um marteau”, versão francesa para “If I had a hammer”, com Les Surfs. Cliff Richard desta vez interpreta “Summer holidays”, e Richard Anthony retorna com “Donne moi ma chance”. “Do you love me?”, lançado originalmente pelos Contours, aqui vem com Brian Poole and The Tremeloes. O roteiro ainda inclui Perry Como (“Caterina”), Sylvie Vartan (“Se je chante”), Alain Barrieire (“Elle etat si jolie”), Salvatore Adamo (“Sans toi ma mie”), e os imortais Buddy Holly (“Brown eyed handsome man”) e Nat King Cole (“Ramblin’ rose”).

O volume 5, apresentando sucessos de 1964, já começa arrebentando: a primeira faixa é a inesquecível “The house of rising sun”, na antológica e irresistível interpretação do grupo britânico The Animals. Marianne Faithful, então namorada do “Rolling Stone” Mick Jagger, aqui vem com sua interpretação para um dos hits do grupo , “As tears goes by”. Os também britânicos Beatles, cujas canções marcaram a vida de muitos, aqui comparecem com sua versão roqueira do standard “Ain’t she sweet?”, composto em 1929. Os Swinging Blue Jeans apresentam outro cover bem sucedido, o de “Hippy hippy shake”, sucesso originalmente com seu autor, Chan Romero. Os Beach Boys aqui retornam com “I get around”, Salvatore Adamo com “Quand les roses” e Sylvie Vartan com “La plus belle pour alle danser”. E como esquecer “Dominique”, popularizada no Brasil por Giane e aqui no original de sua autora, a freira belga Jeanne Deckers, a Irmã Sorriso (Souer Sourire)? Ainda no programa estão The Seekers (com a não menos inesquecível “I’ll never find another you”), The Moody Blues (com a expressiva “Nights in white satin”), Cilla Black (“Anyone who had a heart”) e Dusty Springfield (“I just don’t now what to do with myself”).

E chegamos a 1965, ano posto em foco pelo volume 6 da coleção. E este abre com a expressiva interpretação dos Byrds para o clássico “Mr. tambourine man”, de Bob Dylan. Volta Alain Barriere, desta vez com outro clássico, eterno e inesquecível: “Ma vie” (quem nunca ouviu que atire a primeira pedra!). Outro retorno é o de Shirley Bassey, e em grande estilo: ela interpreta nada mais nada menos que “Goldfinger”, do filme homônimo de James Bond, o maior êxito da cantora. E tome clássico: “Capri c’est fini”, com Hervé Villard, “Don’t let me be misunderstood”, com os Animals (que voltou a ser sucesso nos anos 70, em versão “disco” do grupo Santa Esmeralda), “Here comes the night” (do grupo Them), “You’ve got your troubles” (com The Fortunes), “It’s not unusual” (Tom Jones)… Salvatore Adamo retorna com “Viens ma brune” e “Mes mains sur tes hanches” assim como Marianne Faithful, com “Come and stay with me”. A curiosidade fica por conta do “Hully gully do montanhês”, sucesso em Portugal com o Conjunto Acadêmico João Paulo. Pois é, nem só de fado vivem os lusitanos…

No volume 7, focalizando os hits de 1966, os destaques ficam com “Monday, Monday”, dos Mamas and the Papas, “Turn! Turn! Turn!”, dos Byrds, “Good vibrations”, outro clássico dos Beach Boys, e Tom Jones interpretando o standard do country “The green green grass of home”, popularizado no Brasil por Agnaldo Timóteo como “Os verdes campos da minha terra”. Cat Stevens, então em início de carreira, interpreta “I love my dog”, Hervé Villard reaparece com “Mourir ou vivre”, e Cliff Richard retorna com “All my love”. No restante do programa, hits de Manfred Man (“Pretty flamingo”) , The Hollies (“Stop! Stop! Stop!”) , Small Faces (“Sha la la la lee”) e Pinkerton’s Assort Colours (“Mirror, mirror”). The Sheiks, outro grupo roqueiro lusitano, aqui interpreta, em inglês, “Missing you”.

E chegamos a 1967, ano posto em foco pelo oitavo volume da coleção. E este abre com um verdadeiro hino da geração hippie, “San Francisco”, com Scott Mackenzie. E como esquecer “There’s a kind of hush”, dos Herman’s Hermits,e “Words”, dos Bee Gees (que teve versão em português com Chitãozinho e Xororó, com participação especial dos próprios Bee Gees)? Os Mamas and the Papas novamente comparecem, com sua releitura de “Dedicated to one I love”, originalmente lançada por The Five Royales em 1959. O grupo britânico Procol Harum interpreta “Homburg” (que no Brasil virou “A hora do amor”, com Agnaldo Timóteo). Salvatore Adamo aqui interpreta uma música que já chama atenção pelo título: “Inch Allah” (em árabe, “Se Deus quiser”, termo que no Brasil era ouvido com frequência na novela global “Caminho das Índias”). George Faime interpreta o tema principal do filme “Bonnie & Clyde”, de Arthur Penn, aqui subintitulado “Uma rajada de balas”. O lusitano Carlos Mendes interpreta em inglês “Penina”, do então ainda beatle Paul McCartney. O assobiador(whistling) Jack Smith apresenta seu hit “I was kaiser’s bill Batman”, Cat Stevens retorna com “Mathew and son”, Engelbert Humperdinck vem com “Release me”… E temos ainda outra curiosidade do rock português, “A lenda de El-Rei Dom Sebastião”, com o Quarteto 1111.

O “ano que não terminou”, 1968, tem parte de sua história musical registrada no volume 9, o penúltimo da coleção. E começa com a versão arrasa-quarteirão de Joe Cocker para o clássico “bítlico” “With a little help of my friends”, que mais tarde foi prefixo da série de TV norte-americana “Anos incríveis (The wonder years)”, exibida no Brasil pela Cultura de São Paulo e pela Rede Bandeirantes. A interpretação de Cocker é simplesmente arrebatadora! Os Bee Gees retornam com “I’ve gotta get a message to you”, Cliff Richard com “Congratulations”, Sylvie Vartan com “Comme um garçon”, e os Hollies com “Jenniffer eccles”. O Quinteto Acadêmico + 2, outro grupo roqueiro de Portugal, interpreta em inglês “Judy in disguise”, e Bobby Goldsboro vem com o clássico romântico “Honey” (que no Brasil virou “Querida”, com Moacyr Franco). A israelense Rika Zarai vem com “Casatschok”, outra que ganhou versão brasileira, desta vez cantada por Joelma (não confundir com a atual). Completando o programa, hits de Nicoletta (“I sets mort le soleil”), Scaffold (“Lilly the pink”), Des O’Connor (“I pretend”) e do grupo The Honeybus (“I can’t let Maggie go”).

E finalmente chegamos ao ano de 1969, que encerra a década e a coleção. E este décimo volume começa com um autêntico clássico dos bailinhos de ontem, hoje e sempre: “Sugar sugar”, curiosamente interpretado por um grupo do “faz de conta”, The Archies, surgido nos EUA nas histórias em quadrinhos, publicadas até hoje, e depois popularizado em desenhos animados na televisão (passaram também no Brasil). Inteligente armação do produtor Don Kirshner, gravada com músicos de estúdio especialmente reunidos, “Sugar sugar” virou um sucesso permanente, e é conhecida até hoje. Outro hit inesquecível na linha “bailinho” aqui presente é “Dizzy”, com Tommy Roe, que ainda interpreta “Where do you go to, my lovely?”. “I’ll never fall in love again”, êxito romântico permanente da dupla Burt Bacharach-Hal David, que muitos conhecem com Dionne Warwick, aparece aqui com Bobbie Gentry, outra cantora norte-americana de sucesso a seu tempo. O franco-egípcio Georges Moustaki veio com “Le méteque”, os Beach Boys retornam aqui com “Do it again”, os Hollies com “Sorry, Suzanne” e os Herman’s Hermits com “My sentimental friend”. Hits do grupo The Band (“The night they drove old dixie down”) e dos cantores David Alexander Winter (“Oh! Lady Mary”) e Michel Delpech (“Wight is wight”) completam este décimo e último volume da coleção de LPs da revista “Seleções do Reader’s Digest” que nos oferece parte significativa da história musical internacional dos anos 1960. É a oportunidade de, quem viveu essa época, reavivar suas lembranças ao som destas músicas, e, de quem só chegou depois, travar conhecimento com elas. Divirtam-se!

Texto: SAMUEL MACHADO FILHO.

Vários – SRD – A Melhor Música dos Anos 60

Álbum: A Melhor Música dos Anos 60
Ano/Gravadora: (1988) Seleções Do Readers Digest
Coletânea de 10 LP’s Seleções do Reader’s Digest
Artista(s) Participantes: Vários
Artista(s) do Álbum: Vários
Acervo: Fadistão
Formato: Vinyl – 320 kbps

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