Ângela Maria – Quando A Noite Vem, Uma Voz Para Milhões (1961)

Ângela Maria

Resenha do LP Ângela Maria, Quando A Noite Vem

O Baú de Long Playing tem a satisfação de apresentar mais um álbum da sempre extraordinária Ângela Maria (Conceição de Macabu, distrito de Macaé, RJ, 13/4/1929), sem dúvida uma das cantoras mais populares do Brasil, com bagagem fonográfica extensa e bastante expressiva. No ano passado, inclusive, ela foi tema de um livro biográfico escrito pelo jornalista e pesquisador Rodrigo Faour, contando com preciosos depoimentos da grande Sapoti.

Este “Quando a noite vem” (subintitulado “Uma voz para milhões”) é o primeiro dos dois LPs que Ângela Maria gravou em sua curta permanência (exatamente um ano) na Continental, na qual ingressou após sete anos na Copacabana. Foi editado no início de 1961, e tem uma caprichadíssima produção, com orquestrações a cargo de três autênticos “cobras”: Radamés Gnattali, Severino Araújo e Severino Filho, chamados na contracapa de “químicos do som”. É um repertório eclético, com músicas de autores nacionais e internacionais. A faixa de abertura, “Pepe”, é um chá-chá-chá, ritmo cubano que estava em voga na época, em versão do misterioso A. Santana. O samba “A saudade não foi leal”, de Norival Reis, o Vavá (então também técnico de gravação na Continental) e Jorge Duarte, já havia sido lançado em 78 rpm, em dezembro de 1960, tendo no verso a balada espanhola “Dom Quixote”, em versão de Nazareno de Brito, também aqui presente. Era um expediente comum na época, com o objetivo de testar o público. O disco, claro, tem muito mais: regravações de “Il nostro concerto” (então grande sucesso italiano na voz de seu co-autor, Umberto Bindi) e “Os olhinhos do menino” (pungente e clássica toada de Luiz Vieira, por ele mesmo lançada em 1954), e obras de compositores renomados, como as duplas Britinho-Fernando César (“Quando a chuva chegar”), Mirabeau-Waldir Rocha (que assinam a faixa-título, o rock-balada “Quando a noite vem”), e Paulo Soledade (“Instante de amor”). A faixa “Ritmo gostoso”, vale ressaltar, é um sorongo, ritmo musical “inventado” por seu co-autor, o percussionista Pedro Santos (Rio de Janeiro, 2/10/1919-idem, 23/2/1993), músico por sinal bastante criativo, que ficou conhecido como Pedro Sorongo. Ele contribuiu em muito para a cultura brasileira, e é hoje nome de centro cultural em seu Rio de Janeiro de origem. Completam este trabalho da Sapoti um samba, “Para não sofrer”, um bolero, “Graças (Gracias)”, e outro chá-chá-chá, “La boa”, aliás a faixa que encerra o disco (a de abertura, “Pepe”, é também chá-chá-chá). Enfim, como informa a contracapa, este disco é “um desfile musical harmonioso, variado, cheio de surpresas agradáveis”, tendo inclusive merecido reedição em CD. E, de fato, é sempre agradável ouvir a belíssima voz desta notável intérprete que é Ângela Maria, sem dúvida a maior cantora brasileira viva da atualidade. É ouvir e se deliciar…

Texto: SAMUEL MACHADO FILHO.

Ângela Maria – Quando A Noite Vem (Uma Voz Para Milhões)

Álbum: Quando A Noite Vem (Uma Voz Para Milhões)
Ano/Gravadora: (1961) Continental SLP 7001
Artista(s) do Álbum: Ângela Maria
Arranjos: Radamés Gnattali, Severino Araujo, Severino Filho
Acervo: Azul
Fortmato: Vinil – 320 kbps

Fonogramas Face A
A01. Pepe – (Daniel Lemaitre)
A02. A Saudade Não Foi Leal – (Norival Reis – Jorge Duarte)
A03. Quando a Chuva Chegar – (Fernando César – Britinho)
A04. Quando a Noite Vem – (Waldir Rocha – Mirabeau)
A05. Il Nostro Concerto – (Calabrese – Biridi)
A06. Graças (Gracias) – (G. Midiguilar – Rodolfo G. Velarde)

Fonogramas Face B
B01. Dom Quixote (Don Quijote) – (A. Garcia Segura – Augusto Algueró)
B02. Ritmo Gostoso – (Nelson Mattos – Pedro Santos)
B03. Os Olhinhos do Menino – (Luiz Vieira)
B04. Para Não Sofrer – (Renan França – Anthero de Mattos)
B05. Instante de Amor – (Paulo Soledade)
B06. La Boa – (Felix Reyman – Carlos J. Reys)

Ângela Maria : Mega

Ângela : Zip

Maria : File

Deixe uma resposta