Elis Regina – O Melhor de Elis (1979)

Elis Regina

Resenha do LP

Elis Regina – O Melhor de Elis.

O Baú de Long Playing tem a grata satisfação de oferecer uma compilação reunindo alguns dos melhores momentos de uma estrela eterna de nossa música popular: Elis Regina Carvalho Costa. Ou, como ficou para a posteridade, simplesmente Elis Regina. Tanto que ela ocupa a vice-liderança na relação dos cem melhores cantores brasileiros de todos os tempos, feita pela revista “Rolling Stone Brasil”, perdendo apenas para Tim Maia.

Ela veio ao mundo na cidade de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, em 17 de março de 1945. Começou sua carreira aos onze anos de idade, cantando no programa “Clube do Guri”, da Rádio Farroupilha, nele ficando (inclusive como secretária, lendo recados, nomes de aniversariantes e apresentando os candidatos) até 1959, quando assinou seu primeiro contrato profissional, com a Rádio Gaúcha. Em 1961, com apenas 16 anos de idade, gravou seu primeiro LP, “Viva a brotolândia”, pela Continental, recheado de calipsos e rocks à maneira de Celly Campello, então grande estrela da Odeon, revelando claramente a intenção da gravadora de lançar uma concorrente para Celly. Um ano depois, ainda pela Continental, lança o segundo álbum, “Poema de amor”, e, um ano depois, lança dois LPs pela CBS. Em 1964, muda-se de vez para o Rio de Janeiro, onde participa do programa “Noite de gala”, da TV Rio, e se apresenta nas boates Little Club e Bottle’s, situadas no lendário Beco das Garrafas. A 31 de agosto desse mesmo ano, Elis apresenta-se pela primeira vez em São Paulo, no show beneficente “Boa bossa”, organizado pelo disc-jóquei Walter Silva, o Pica-Pau, junto com outros artistas. Participa em seguida de outros shows, tais como “Primeira denti-samba” e “O remédio é bossa”, também dirigidos por Walter. Já contratada pela Philips, hoje Universal Music, onde deixará a maior parte de sua expressiva discografia, obtém sua consagração definitiva em 1965, ao vencer o I Festival de MPB da TV Excelsior, com “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes, recebendo o prêmio Berimbau de Ouro. No mesmo ano, faz um antológico show com Jair Rodrigues e o Jongo Trio no Teatro Paramount de São Paulo, que resulta no LP “Dois na bossa”, um dos mais vendidos do ano. O sucesso motivou a TV Record, então na linha dos grandes musicais, a contratar Elis e Jair para fazer um programa semanal de música brasileira: o antológico “O fino da bossa”, que permanecerá em cartaz por dois anos. Ao longo de toda a carreira, a “Pimentinha” interpretou músicas de compositores até então pouco conhecidos, muito ajudando em sua consagração: Mílton Nascimento, Gilberto Gil, Ivan Lins, Belchior, Renato Teixeira, a dupla João Bosco-Aldir Blanc, impulsionando-os em nosso cenário musical. Aventurou-se por vários gêneros da MPB, como bossa nova, samba, rock e jazz. São célebres, entre outros, seus duetos com Jair Rodrigues, Tom Jobim, Wilson Simonal, Rita Lee, Chico Buarque e, por fim, seu segundo marido, o tecladista César Camargo Mariano, notável arranjador, com quem teve dois filhos, hoje também cantores: Pedro Mariano e Maria Rita. Do primeiro casamento, com o jornalista Ronaldo Bôscoli, resultou o filho João Marcelo, hoje sócio-proprietário da gravadora Trama Music. Apresentou-se também no exterior, em países como França, Inglaterra e Suíça. Seu show de maior sucesso foi, sem dúvida, “Falso brilhante” (1975-76) apresentado durante catorze meses no extinto Teatro Bandeirantes de São Paulo. Outros memoráveis espetáculos que fez ao longo da carreira foram “Transversal do tempo” (1978), “Essa mulher” (1979) e “Saudade do Brasil” (1980). Deixou sucessos memoráveis, como “Preciso aprender a ser só”, “Romaria”, “Louvação’ (dueto com Jair Rodrigues), “Menino das laranjas”, “Querelas do Brasil”, “O mestre-sala dos mares”, “O bêbado e a equilibrista” (hino da anistia aos rebeldes políticos no Brasil), “Como nossos pais”, “Velha roupa colorida”, “Aprendendo a jogar”, “O trem azul”, “As aparências enganam”, “Basta de clamares inocência”, “Fechado pra balanço”, “Lunik 9”, “Alô, alô, marciano”, Me deixas louca”… Além dos presentes no álbum hoje postado no BLP. Elis Regina faleceu no dia 19 de janeiro de 1982, em São Paulo, com apenas 36 anos, de intoxicação causada, segundo laudo médico, por uma mistura de cocaína com álcool etílico, fato que causou enorme comoção em todo o Brasil. Mas Elis continua e continuará viva em nossa lembrança como uma das melhores e mais perfeitas cantoras que o Brasil já teve.

É o que você poderá comprovar ouvindo o álbum-compilação que o Baú de Long Playing hoje nos oferece, lançado pela Philips/Polygram, selo Fontana, em 1979. Não há o que destacar: todas as doze faixas são memoráveis, o melhor do melhor gravado pela eterna “Pimentinha”. E o disco já começa arrebentando, com nada mais nada menos que o clássico “Águas de março”, do mestre Tom Jobim, que ambos gravaram separadamente em 1972 e juntos dois anos mais tarde. A Elis cheia de bossa é mostrada em “Vou deitar e rolar”, sucesso de 1970, “Madalena”, primeiro grande hit autoral de Ivan Lins, do mesmo ano, tema de uma personagem de mesmo nome, interpretada por Renata Sorrah na novela “A próxima atração”, da TV Globo, faixa de encerramento do presente álbum, e a não menos inesquecível “Upa, neguinho”, que ela lançou no programa “O fino da bossa” em 1966 e regravou em estúdio dois anos mais tarde. A gravação que fez para “Zazueira”, de Jorge (então) Ben, é do álbum “Elis in London”, que ela fez em 1969 com o maestro Peter Knight. “Dois pra lá, dois pra cá”, obra memorável da parceria João Bosco-Aldir Blanc, é de 1974, e ainda recentemente foi revivida na novela global “Eta mundo bom”. E como esquecer as antológicas interpretações de Elis para “Nada será como antes”, “Casa no campo” ,“Atrás da porta”, “Amor até o fim”? O pot-pourri “Aquarela do Brasil-Nêga do cabelo duro” e a ótima reinterpretação da “Pimentinha” para o samba “É com esse que eu vou” completam esta super-antologia de inesquecíveis momentos da imortal Elis Regina, que o Baú de Long Playing se orgulha em hoje nos oferecer. Que bom que a Elis existiu!

Texto :SAMUEL MACHADO FILHO.

Elis Regina – O Melhor de Elis (1979)

Álbum: O Melhor de Elis
Ano/Gravadora: (1979) Fontana/Philips 6470 625
Artista(s): Elis Regina
Acervo: Carlão
Fortmato: Vinil – 320 kbps

Fonogramas Lado 1
A01. Águas de Março – (Tom Jobim)
A02. Vou Deitar E Rolar (Quaquaraquaquá) – (Baden Powell / Paulo César Pinheiro)
A03. Nada Será Como Antes – (Milton Nascimento / Ronaldo Bastos)
A04. Zazueira – (Jorge Ben “Jorge Benjor”)
A05. Upa Neguinho – (Edu Lobo / Gianfrancesco Guarnieri)
A06. Dois Pra Lá, Dois Pra Cá – (João Bosco / Aldir Blanc)

Fonogramas Lado 2
B01. Aquarela do Brasil – Nega do Cabelo Duro – (Ary Barroso) (Rubens Soares / David Nasser)
B02. Amor Até O Fim – (Gilberto Gil)
B03. Atrás da Porta – (Chico Buarque / Francis Hime)
B04. É Com Esse Que Eu Vou – (Pedro Caetano)
B05. Casa No Campo – (Zé Rodrix / Tavito)
B06. Madalena – (Ivan Lins / Ronaldo Monteiro de Souza)

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