LP Altamiro Carrilho – Enquanto Houver Amor (1959)

Enquanto Houver Amor

Resenha do LP Altamiro Carrilho Lançado pela Copacabana em 1959

O Baú de Long Playing traz hoje um dos muitos álbuns, “Enquanto Houver Amor”, daquele que foi um dos maiores flautistas que o Brasil e o mundo já tiveram : Altamiro Aquino Carrilho.

Ele veio ao mundo no dia 21 de dezembro de 1924, na cidade de Santo Antônio de Pádua, interior do estado do Rio de Janeiro, quase na divisa com Minas Gerais, membro de uma família de oito irmãos, entre eles o flautista Álvaro Carrilho. Seu pai, Octacilio Gonçalves Carrilho, era um dentista que gostava de ajudar os menos favorecidos. O avô materno, Carlos Manso de Aquino, gostava tanto de música que, ao nascer sua primeira filha (a futura mãe de nosso Altamiro), batizou-a como Lyra, nome também de sua banda, Lyra de Árion (onde Altamiro tocava tarol), que se apresentava no coreto da praça, onde as famílias paduanas se reuniam para ouvir e aplaudir. Aos 15 anos, Altamiro mudou-se com a família para São Gonçalo, litoral fluminense, e de lá foram para o subúrbio carioca de Bonsucesso. Trabalhou como farmacêutico e continuou estudando música à noite, até conseguir comprar uma flauta de segunda mão. Pouco depois, inscreveu-se no programa de calouros do exigente e temido Ary Barroso, executando sua flauta mágica, e conseguindo magistralmente o primeiro lugar. Sua primeira aparição em disco deu-se em 1943, acompanhando em uma gravação o cantor Moreira da Silva. Três anos mais tarde, a convite de Ademar Nunes, foi contratado pela Rádio Sociedade Fluminense, atuando na orquestra da emissora. Mais tarde, passou a integrar o conjunto de César Moreno, com o qual atuou nas rádios Tupi e Tamoio. Em 1948, fez parte do grupo do violonista Rogério Guimarães, ainda na Tupi. Em 1949, Altamiro Carrilho forma seu primeiro conjunto, e com ele atua na Rádio Guanabara, além de gravar discos na Continental e na Star. Em 1951, passa a integrar o regional do violonista Canhoto (Valdiro Frederico Tramontano), substituindo Benedito Lacerda, nele permanecendo seis anos, e atua no filme ”Mulher do diabo”, de Miro Harbisch. Em 1954, Altamiro Carrilho forma sua memorável “Bandinha”, com a qual gravou dezenas de discos, em 78 rpm e vinil, alcançando altíssimos índices de vendagem. É nesse ano que lança sua composição mais conhecida, o maxixe “Rio antigo”, mais tarde faixa-título de um de seus inúmeros LPs. Manteve, na TV Tupi do Rio de Janeiro, em horário nobre, o programa “Em tempo de música”, obtendo altos índices de audiência. Seu respeitável currículo inclui apresentações em países da Europa, América Latina, EUA e Japão, tendo residido no México durante um ano, sempre recebendo os merecidos aplausos do público, como autêntico mestre da flauta que era. Como compositor, deixou mais de duzentas obras, dos mais variados ritmos e gêneros, e gravou mais de uma centena de discos, sendo considerado por seu colega Jean-Pierre Rampal o maior flautista do mundo. Após vários meses enfrentando problemas pulmonares, já com a saúde debilitada, Altamiro Carrilho faleceu em 15 de agosto de 2012, no Rio de Janeiro, aos 87 anos.

O álbum que o Baú de Long Playing hoje nos oferece, “Enquanto houver amor”, lançado pela Copacabana em 1959, originou-se de um poema com o mesmo título, escrito pela misteriosa AMJ, de São Paulo, fã incondicional de Altamiro Carrilho, e por ela enviado à TV Tupi. Na carta, ela também sugeria ao mestre da flauta a gravação de várias músicas românticas. Altamiro aceitou quase todas as sugestões e o resultado foi este disco, que dedicou à sua enigmática fã, com primorosos acompanhamentos de conjunto e orquestra . No roteiro, há uma composição dele próprio, “Meu sonho é você” (que projetou, em 1951, o cantor Orlando Corrêa), um standard do repertório internacional, “Tea for two”, dos norte-americanos Irving Ceasar e Vincent Youmans, e uma canção em estilo afro-cubano do clarinetista Abel Ferreira, “Sonho negro”, lançada pelo autor em 1952. Composições do maestro Lindolfo Gaya (“Baião atrevido”, “Morreu meu coração”), Miguel Gustavo (“Conselho inútil”), João Leal Brito, o Britinho (“Um brasileiro em Hollywood”, “Sempre teu”, “Foi ilusão”) e a imortal “Carinhoso”, do mestre Pixinguinha, completam este álbum romântico de Altamiro Carrilho, uma preciosíssima joia para quem possui bom gosto e sensibilidade. Ouça e sonhe…

Texto: SAMUEL MACHADO FILHO.

LP Altamiro Carrilho – Enquanto Houver Amor

Álbum: Enquanto Houver Amor
Ano/Gravadora: (1959) Copacabana CLP 11072
Artista(s): Altamiro Carrilho
Dados adicionais:
• Acompanhamento de Orquestra e Conjunto
Acervo: Corisco
Formato: Vinil – 320 kbps

Fonogramas Lado A
A01. Um Brasileiro em Hollywood – (João Leal Brito ”Britinho” / Nelson Trigueiro)
A02. Sonho Negro – (Abel Ferreira)
A03. Meu Sonho É Você – (Altamiro Carrilho / Átila Nunes)
A04. Carinhoso – (Pixinguinha / João de Barro)
A05. Conselho Inútil – (Miguel Gustavo)

Fonogramas Lado B
B01. Tea For Two – (Irving Caesar / Vincent Youmans)
B02. Foi Ilusão – (João Leal Brito ”Britinho”)
B03. Sempre Teu – (João Leal Brito ”Britinho” / Fernando César)
B04. Baião Atrevido – (Lindolfo Gaya)
B05. Morreu Meu Coração – (Lindolfo Gaya / José Carlos)

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