Seleções do Readers Digest – Magical World Of Melody (1963)

Magical World Of Melody

Resenha do LP Seleções Reader’s Digest Magical World Of Melody 10 Volumes

Magical world of melody Box de 10 LP’s lançada pela Seleções do Reader’s Digest

O Baú de Long Playing tem o prazer de apresentar hoje mais um primoroso álbum editado sob a égide da “Reader’s Digest”, revista publicada no Brasil como “Seleções”. Trata-se de Magical world of melody (O mundo mágico da melodia)”, uma grandiosa produção em parceria com a RCA. Lançado em 1963, este box-set possivelmente não foi comercializado no Brasil, tendo sua venda por mala direta restrita aos EUA de origem. O que, portanto, aumenta seu valor histórico. Objetivando aliar quantidade e qualidade, o álbum, que reproduz em sua capa uma pintura de Claude Monet, compõe-se de dez LPs, no qual desfilam sucessos de grandes compositores internacionais, tanto populares quanto eruditos. Para tanto, escalaram-se orquestras e maestros de quilate, e utilizou-se o que de melhor havia em padrão técnico de gravações na época. O resultado você poderá apreciar agora, através desta superpostagem que o BLP nos oferece. Entre parêntesis, as datas de nascimento e falecimento dos compositores e de alguns envolvidos na produção deste álbum.

O lado 1 da série, “Mr. Show business”, é dedicado à obra musical de Irving Berlin (11/3/1888-22/9/1989), um dos maiores compositores dos EUA, e, aqui, suas músicas são interpretadas pela orquestra do britânico Ken Thorne (26/1/1924-9/7/2014). São sete temas bastante conhecidos e até hoje apreciados, graças principalmente à sua divulgação em filmes e musicais de teatro. Como esquecer “Cheek to cheek” (que no Brasil teve até mesmo uma divertida paródia de Noel Rosa, “Vagulino no cassino”), “Always”, “There’s no business like show business”, “Remember” e outras joias aqui revividas? No lado 2, a orquestra de Robert Bentley e o coral de Roger Curtis revivem seis das melhores páginas musicais de outro expressivo compositor norte-americano, Jerome Kern (27/1/1885-11/11/1945), como “Smoke gets in your eyes”, “All the things you are” (letra de Oscar Hammerstein II) e “The song is you”. O nova-iorquino Richard Rodgers (28/7/1902-30/12/1979) mereceu o terceiro lado desta série, com seis de suas obras mais expressivas executadas pela orquestra do britânico Ronnie Hazlehurst (13/3/1928-1/10/2007). São também hits inesquecíveis, como “My funny Valentine”, “With a song of my heart” e “Falling in love with love. O lado 4 é dedicado à obra musical de Alan Jay Lerner (31/8/1918-14/7/1986) e Frederic Loewe (10/6/1901-14/2/1988), este nascido na Áustria, com sete hits de musicais da Broadway que posteriormente foram transpostos para o cinema, executados pela orquestra de Ken Thorne, como “I could have danced all night”, “Almost like being in love” e “The rain in the Spain”. Em “Gigi”, Denzel Grant é responsável pelos vocais, assim como em “What a little bit of luck”, na qual tem a companhia de Roberta Starr. O lado 5 desta série, novamente com a orquestra de Ken Thorne, é dedicado àquele que é considerado o maior compositor de jazz norte-americano de todos os tempos: Duke Ellington (29/4/1899-24/5/1974). Poderemos aqui recordar sete de suas mais expressivas páginas, como “Solitude”, “Sophisticated lady”, “Prelude to a kiss”, “Caravan” e “In a sentimental mood”. Conhecido como “o pai da música norte-americana”, e aqui chamado de “beautiful dreamer” (belo sonhador), Stephen Foster (4/7/1826-13/1/1864) ficou com o sexto lado da coleção, no qual de sete de suas peças mais famosas são apresentadas pela orquestra de Hill Bowen, junto com o coral de John McCarthy. Trabalhos como “Oh! Suzana” (popularizado no Brasil por Bob Nélson, nos anos 1940), “Camptown races”, “My old Kentucky home” e “I dream of Jeannie with the light brown hair” continuam bastante populares, mesmo tendo sido compostos há mais de 150 anos.

Passando do popular para o erudito, o sétimo lado da coleção é dedicado à obra do russo Piotr Tchaikovsky (7/5/1840-6/11/1893), aqui chamado de “grande gênio da melodia”, cujos trabalhos utilizavam elementos internacionais simultaneamente com melodias populares nacionalistas russas. A interpretação de dez de suas peças mais expressivas, como “Tema de Romeu e Julieta”, “Humoresque”, “Valsa da bela adormecida” e “Valsa do lago dos cisnes”, ficou a cargo da orquestra e coral do britânico Peter Knight (23/6/1917-30/7/1985), o mesmo que, em 1969, gravou um álbum em Londres com nada mais, nada menos que a brasileira Elis Regina, “Elis in London”, editado aqui somente após a morte prematura da cantora, em 1982. O lado 8 é dedicado ao austríaco Johann Strauss Jr. (25/10/1825-3/6/1899), aqui chamado de “incomparável rei da valsa”, com suas obras executadas pela Royal Philarmonic Orchestra, regida por Charles Gerhardt (6/2/1927-22/2/1999). São peças como “Champagne polka”, “Czardas”, a “Suíte do barão cigano” e trechos da ópera “O morcego”. O lado 9 da série traz de volta Peter Knight, desta vez regendo também a Royal Philarmonic Orchestra, com a participação dos pianistas Brownen Jones e Eileen Broster, todos reunidos para interpretar obras do francês Claude Debussy (22/8/1862-25/3/1918), cuja obra influenciou nomes como Bela Bartok, Manuel de Falla e o brasileiro Heitor Villa-Lobos. São seis faixas, entre elas “Clair de lune”, “A catedral submersa”, “Cortege” e “A garota de cabelos loiros”. O décimo lado é dedicado a Jacques Offenbach (20/6/1819-5/10/1880), compositor e violoncelista alemão que radicou-se na França, apresentando a música do balé “Gaité parisienne”, com arranjo do francês Manuel Rosenthal (18/6/1904-5/6/2003) e novamente na execução da Royal Philarmonic Orchestra, agora regida pelo ucraniano Anatole Fistoulari (20/8/1907-21/8/1995). Ele também conduz a mesma orquestra no décimo-primeiro lado da coleção, dedicado à obra do franco-polonês Fréderic Chopin (1810-1849), apresentando a partitura do balé “As sílfides”, calcado em composições chopininanas. O décimo-segundo lado da série denomina-se “A lírica majestade de Edvard Grieg” (15/6/1843-4/9/1907), compositor norueguês cujo lema era “Toda a arte verdadeira surge do ser humano”, reunindo seis de suas peças, interpretadas pela Royal Philarmonic Orchestra e coral, novamente com regência de Peter Knight e participação dos pianistas Bronwen Jones e Eileen Broster, tais como “Norwegian march”, “Anitra’s dance” e “Solvejg’s song”, esta com solo vocal da soprano Patricia Clark. O lado 13 denomina-se “As gloriosas melodias de Richard Strauss” (11/6/1864-8/9/1949), apresentando, de autoria do compositor alemão, a “Suíte do cavaleiro da rosa”, composta de dez movimentos, desta vez com o norte-americano Charles Gerhardt (6/2/1927-22/2/1999) à frente da Royal Philarmonic Orchestra. Um dos últimos grandes expoentes do gênero romântico na música clássica europeia, o russo Sergei Rachmaninoff (1/4/1873-28/3/1943) tem sua obra lembrada no décimo-quarto lado desta coleção, através de oito peças, como o “Concerto para piano n.o 2”, “Prelúdio em si menor” e “Rapsódia sobre um tema de Paganini”. Tudo com a orquestra e coral de Peter Knight, mais o pianista John Wingell, e participação da soprano Patricia Clark na faixa 3 “How fair this spot” e ainda em um “vocalize” na faixa 5. O lado 15 desta série denomina-se “O mestre alegre da melodia”, e é dedicado a Franz Lehar (30/4/1870-24/10/1948), um dos maiores compositores austríacos, conhecido principalmente por suas operetas. A orquestra do britânico Gilbert Vinter (4/5/1909-10/10/1969) executa quatro peças de Lehar: “Valsa da viúva alegre”, “Abertura de O país dos sorrisos”, “Minueto” (da opereta “Friederike”) e “Valsa de amor cigano”. O lado 16 da coleção retorna à música popular, e é intitulado “A cintilante alegria musical de Leroy Anderson” (29/6/1908-29/5/1975). Um dos mais notáveis compositores populares norte-americanos, ele aqui comparece com seis de suas mais conhecidas peças, executadas pela Royal Philarmonic Orchestra, também sob a regência de Gilbert Vinter, como “Fiddle-faddle”, “Blue tango” e “Belle of the ball”. O lado 17 tem o título de “A música sentimental de Frank Loesser” (29/6/1910-28/7/1969), considerado um dos mais versáteis autores de musicais da Broadway. A orquestra de Ken Thorne apresenta sete peças bastante expressivas do compositor novaiorquino, sendo que Roberta Starr é vocalista em “I’ve never been in love before” (solo) e “Baby, It’s cool outside” (dueto com Denzel Grant). O lado 18 se intitula “As inesquecíveis melodias de Vincent Youmans” (27/9/1898-5/4/1946), e é dedicado a outro ativo compositor de musicais da Broadway. São sete trabalhos executados pela orquestra de Ronnie Hazlehurst, um deles, curiosamente, chamado “Carioca”! A faixa “More than you know” tem solo vocal de June Marlow. Poderemos ainda apreciar “Sometimes I’m happy”, “Without a song”, “Hallelujah”, “I want to be happy” e “Time on my hands”.

O lado 19 é dedicado a outro gigante da música popular norte-americana, Cole Porter (9/6/1891-15/10/1964). Sob o título de “As sofisticadas canções de Cole Porter”, a orquestra de Robert Bentley e o coral de Roger Curtis nos trazem seis páginas do vasto repertório de Porter, tais como “In the still of the night”, “Let’s do it (Let’s fall in love)” e a sempre lembrada “Night and day” cujo criador em disco, por incrível que pareça, foi Fred Astaire, embora fosse presença constante no repertório de Frank Sinatra. Por fim, o vigésimo e último lado desta supercoleção de vinis é intitulado “Os ritmos fascinantes de George Gershwin” (26/9/1898-11/7/1937), outro ícone da música popular dos EUA, cujas composições resistiram ao tempo. As obras de Gershwin são aqui executadas pela orquestra de Wally Stott, na verdade pseudônimo da britânica Angela Morley (10/3/1924-14/1/2009), provavelmente o primeiro ícone transsexual da história da música! Detalhes à parte, ela/ele revive com sua orquestra 6 clássicos do repertório de Gershwin, tais como “ ’S wonderful’ (que até João Gilberto gravou), “Fascinating rhythm”, “A foggy day” e I got ryhthm”. Não poderia haver melhor desfecho para esta super-ambiciosa produção fonográfica da parceria Reader’s Digest-RCA, e que o Baú de Long Playing mui prazerosamente oferece a todos aqueles que apreciam o que é bom.

Texto: SAMUEL MACHADO FILHO

Nosso agradecimento ao Samuel pela dedicação e pelo esmero que tem redigidos as resenhas aqui publicadas, o que engrandece este pequeno espaço

Various: Magical World Of Melody
Ano/Gravadora: (1963) Reader’s Digest RCA Custom
Box de 10 LP’s lançada pela Seleções do Readers Digest
Genre: Jazz, Classical, Stage & Screen
Style: Easy Listening
Acervo:
Formato: Vinil, LP, Compilação, 320 kbps

Magical World Of Melody – Vol. 1 – Record 1 – Side 1 – Record 1 – Side 20 : Mega ….. ou ….. Zip ….. ou ….. File

Magical World Of Melody – Vol. 2 – Record 2 – Side 2 – Record 2 – Side 19 : Mega ….. ou ….. Zip ….. ou ….. File

Magical World Of Melody – Vol. 3 – Record 3 – Side 3 – Record 3 – Side 18 : Mega ….. ou ….. Zip ….. ou ….. File

Magical World Of Melody – Vol. 4 – Record 4 – Side 4 – Record 4 – Side 17 : Mega ….. ou ….. Zip ….. ou ….. File

Magical World Of Melody – Vol. 5 – Record 5 – Side 5 – Record 5 – Side 16 : Mega ….. ou ….. Zip ….. ou ….. File

Magical World Of Melody – Vol. 6 – Record 6 – Side 6 – Record 6 – Side 15 : Mega ….. ou ….. Zip ….. ou ….. File

Vol. 7 – Record 7 – Side 7 – Record 7 – Side 14 : Mega ….. ou ….. Zip ….. ou ….. File

Vol. 8 – Record 8 – Side 8 – Record 8 – Side 13 : Mega ….. ou ….. Zip ….. ou ….. File

Vol. 9 – Record 9 – Side 9 – Record 9 – Side 12 : Mega ….. ou ….. Zip ….. ou ….. File

Vol. 10 – Record 10 – Side 10 – Record 10 – Side 11 : Mega ….. ou ….. Zip ….. ou ….. File

10 Comentários

Deixe uma resposta