Nestor e Nestorzinho – Relógio Velho (1974)

Nestor e Nestorzinho

Resenha do LP

Nestor e Nestorzinho – Relógio Velho.

A música sertaneja de raiz volta a bater ponto no Baú de Long Playing, desta vez com uma das duplas mais queridas do gênero, sobretudo no interior do país, Nestor e Nestorzinho.

Antônio Francisco, o Nestor, é paulista de Birigui, onde veio ao mundo no dia 3 de novembro de 1938. Em 1950, tendo apenas um violão antigo como instrumento musical, formou sua primeira dupla, Tonico e Arlindo, ao lado do irmão e conterrâneo Arlindo Francisco, nascido em 1944, e ambos começaram a se apresentar na Rádio Clube de Birigui.

Buscando novas oportunidades, Antônio Francisco muda-se para São Paulo, no início dos anos 1960, empregando-se inicialmente como faxineiro em um edifício na Rua Direita. Nessa ocasião, nas horas de folga, passou a acompanhar o programa “Crepúsculo sertanejo”, dirigido pelo “marechal da música sertaneja”, Geraldo Meirelles, na Rádio Nove de Julho, que era bem próxima do local de trabalho de Antônio. Lá, ele conheceu o compositor José Ferreira Lemos, o Nízio, mineiro de Divinópolis, que antes cantava com Nézio e então procurava um novo parceiro, por intermédio de João Rosante, o Marrueiro da dupla com Sulino. Assim nasceu a dupla Nízio e Nestor, que, após aprovada em um teste na gravadora Chantecler, em 1964, ali grava seu primeiro disco (selo Sertanejo), um 78 rpm trazendo as músicas “Teu infeliz casamento” e “Nem sempre o amor é um sonho bom”. Um ano depois, vem o primeiro LP de ambos, “O amor sempre vence”, ao qual se seguiram mais cinco, além de quatro compactos, e apresentações em renomadas emissoras de rádio paulistanas, como Nacional, Bandeirantes e Piratininga. Em 1966, com o falecimento repentino de Nízio, a dupla é desfeita e Nestor volta a cantar com o irmão Antônio Francisco, que adotara o nome artístico de Nestorzinho. Surge, assim, a dupla Nestor e Nestorzinho, “os irmãos que cantam com amor e carinho”, para uma longa trajetória de sucessos, tais como “Relógio quebrado”, “Briga de violeiros” e “O calhambeque do Nestor e Nestorzinho”. A dupla já gravou, em toda a carreira, mais de 30 álbuns. Em 1990, Nestor cria uma escola de viola, que chegou a ter mais de oitenta alunos, passando também a desenvolver carreira paralela como solista do instrumento, sendo conhecido como Nestor da Viola, e com ele já gravou cinco CDs, solando clássicos da música sertaneja de raiz.

Da vasta discografia de Nestor e Nestorzinho, o Baú de Long Playing foi buscar “Relógio velho”, editado em 1974 pela Califórnia de Mário Vieira. O repertório inclui músicas então inéditas, tais como “O valentão”, “Beleza do sertão”, “Chores comigo” e a própria faixa-título, e boas regravações de clássicos sertanejos (“Depois que a Rosa mudou”, “João boiadeiro”, “O que tem a rosa?”, “O sonho do matuto”, “Saudade do passado”), estes de autoria de renomados compositores do gênero, como Serrinha, Ariowaldo Pires, o Capitão Furtado, Biguá, Roque José de Almeida. Trabalho bem cuidado e sob medida para os fãs da dupla e aficionados da música sertaneja em geral. E o Nestor continua na estrada, como violeiro-solista e em dupla com o irmão Nestorzinho, para nossa alegria!

Texto: SAMUEL MACHADO FILHO

Nestor e Nestorzinho – Relógio Velho (1974)

Álbum: Relógio Velho
Ano/Gravadora: (1974) Califórnia CL 4134
Artista(s): Nestor e Nestorzinho
Acervo: Paulo Lucio
Formato: Vinil – 320 kbps

Fonogramas Lado A
A01. Chores Comigo – (Paulin / Lelé)
A02. Nunca Mais – (Dono da Noite)
A03. João Boiadeiro – (Moreninho)
A04. O Que Tem A Rosa – (Serrinha)
A05. Presente de Aniversário – (Criolo (2) / Celso William)
A06. O Valentão – (Nestor)

Fonogramas Lado B
B01. Depois Que a Rosa Mudou – (Serrinha)
B02. Relógio Velho – (Paladino / Pinheiral)
B03. Beleza do Sertão – (Nestor)
B04. Chauzinho Meu Bem – (Praense / Peão Carreiro)
B05. O Sonho Do Matuto – (Capitão Furtado / Ochelsis Laureano)
B06. Saudade do Passado – (Roque José de Almeida / Biguá)

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