Cauby Peixoto – O Sucesso Na Voz de Cauby Peixoto (1960)

Cauby Peixoto

Resenha do Long Playing O Sucesso Na Voz de Cauby Peixoto

Homenagem do Baú de Long Playing ao extraordinário Cauby Peixoto

Na noite de 15 de maio último, tivemos uma grande perda para nossa música popular: Cauby Peixoto, um dos maiores cantores brasileiros de todos os tempos, faleceu aos 85 anos, em São Paulo, de pneumonia. Ele era praticamente o único astro da fase áurea do rádio brasileiro ainda vivo, incomparável apesar de muito imitado, e sua voz marcou gerações.

Cauby era fluminense de Niterói, onde veio ao mundo no dia 10 de fevereiro de 1931. Era sobrinho do pianista Romualdo Peixoto, o Nonô, conhecido como “o Paderewski do samba”, e primo do também cantor Cyro Monteiro. Além disso, o pai, “seu” Eliziário, tocava violão, a mãe, dona Alice, bandolim, suas irmãs, Aracy, Andyara e Iracema eram cantoras, e seus irmãos, instrumentistas (Araken era pistonista, e Moacyr, pianista). Cauby estudou em um colégio de padres salesianos em Niterói, onde chegou a cantar no coro da igreja. Trabalhou no comércio, primeiro numa sapataria e depois numa perfumaria. E resolveu seguir carreira de cantor em 1949, ao se apresentar no programa “Hora do comerciário”, da PRG-3, Rádio Tupi (“o cacique do ar”), patrocinado pelo SESC (Serviço Social do Comércio), sendo mais tarde contratado pela emissora, além de atuar como “crooner” em diversas boates cariocas. Mais tarde, em 1951, lançou seu primeiro disco, no selo Carnaval, interpretando o samba “Saia branca” e a marchinha “Ai, que carestia”. Sua versatilidade interpretativa impressionou o empresário Di Veras, que criou para ele uma estratégia de marketing da qual faziam parte a maneira de se trajar, o repertório e atitudes nos palcos. Muitas vezes, chegava a ter suas roupas rasgadas pelas fãs mais veementes! Em 1954, troca a Tupi pela Nacional, transformando-se em verdadeiro ídolo do rádio, e obtém seu primeiro hit maiúsculo, o fox “Blue gardenia”, de Bob Russell e Lester Lee, em versão de Antônio Carlos. Era o pontapé inicial para inúmeros outros sucessos: “Canção do rouxinol”, “É tão sublime o amor”, “Conceição” (por certo o maior deles, e seu prefixo pessoal), “Mambo do galinho”, “Tu, só tu”, “Tarde fria”, “A pérola e o rubi”, “Prece de amor”, “Se adormeço”, “Nono mandamento”, “Primeiro mandamento”, “Volta ao passado”, “Caju nasceu pra cachaça”, “Onde ela mora”, “Espera-me no céu”, “Tammy”, “Acaso”, “Noite”, “Tentação”, “A noiva”, “Lambuzando o selo”,”Minhas namoradas”, “Bastidores” (“Canteeeeeei, canteeeeei”…), “Loucura” e muitos, muitos mais. Foi ele inclusive quem gravou o primeiro rock cem por cento brasileiro, letra e música, em 1957, “Rock and roll em Copacabana”, de Miguel Gustavo.

Muito justamente cognominado “o professor da MPB”, Cauby esteve várias vezes nos EUA, onde chegou a gravar discos com o pseudônimo de Ron Coby, sob o qual fez sucesso com uma versão em inglês de “Maracangalha”, de Dorival Caymmi, “I go”. Nos últimos anos de vida, morou em São Paulo junto com uma fã, a empresária e cuidadora Nancy Lara, responsável por tudo que dizia respeito a suas apresentações artísticas. Mesmo com a saúde frágil (em 2000, por exemplo, implantou seis pontes de safena no coração), Cauby continuou cantando, e até planejava uma turnê nacional ao lado de sua grande amiga Ângela Maria, comemorativa dos 60 anos de carreira de cada um. Em 2015, foi lançado o documentário “Cauby – Começaria tudo outra vez”, de Nélson Hoineff, contando toda a sua trajetória.

O Baú de Long Playing homenageia este notável ícone de nossa música popular que acaba de partir para a eternidade oferecendo “O sucesso na voz de Cauby Peixoto”. Lançado pela RCA Victor em 1960, é um trabalho que mostra toda a sua versatilidade e ecletismo num repertório de ótima qualidade. Poderemos ouvir, em sua interpretação, hits como “Alguém me disse”, “Conversa”, “Só Deus” (estas, dos “hitmakers” Evaldo Gouveia e Jair Amorim), “Covarde” (um mambolero), “Chora tua tristeza”, “A felicidade” (então sucessos da bossa nova), e peças do repertório internacional (“La violetera”, “Mack the knife/Moritat”, “Donde estará mi vida?”). Há também duas versões do próprio intérprete (“Mama” e “A Vila de Santa Bernardette”) e outra do radialista Júlio Nagib (“Romântica”). Pois Cauby foi assim durante a carreira: experimentou todos os gêneros musicais então em evidência. Mesmo porque a elasticidade de sua voz jamais permitiria um embaraço sequer a qualquer tipo de música. Esta é a homenagem do Baú de Long Playing ao extraordinário Cauby Peixoto e, agora que ele se foi, que Deus o tenha em bom lugar!

Texto : SAMUEL MACHADO FILHO

Cauby Peixoto – O Sucesso Na Voz de Cauby Peixoto

Álbum: O Sucesso Na Voz de Cauby Peixoto
Ano/Gravadora: (1960) RCA Victor BBL 1096
Artista(s): Cauby Peixoto
Acervo: Paulo Lucio
Formato: Vinil – 320 kbps

Fonogramas Lado 1
A01. Conversa – (Evaldo Gouveia / Jair Amorim)
A02. Alguém Me Disse – (Evaldo Gouveia / Jair Amorim)
A03. Só Deus – (Evaldo Gouveia / Jair Amorim)
A04. La Violetera – (Padilla / Montesinos)
A05. Mack The Knife (Moritat) – (Kurt Weill / Bertold Brecht / Blitzstein)
A06. Romântica – (Renato Rascel / Dino Verde / Julio Nagib)

Fonogramas Lado 2
B01. Chora Tua Tristeza – (Oscar Castro Neves / Luvercy Fiorini)
B02. Donde Estará Mi Vida – (Segovia / Naranjo / Roman)
B03. A Felicidade – (Tom Jobim / Vinicius de Moraes)
B04. Mama – (C. A. Bixio / Vrs. Cauby Peixoto)
B05. Covarde – (Getúlio Macedo / Lourival Faissal)
B06. A Vila de Santa Bernadette (The Village Of St Bernadette) – (E. Parker / Vrs. Cauby Peixoto)

O Sucesso : Mega

Na Voz : Zip

de Cauby : File

 

4 Comentários

  • Muito gratificante encontramos um blog, não excelente, mas, de inigualável qualidade como o vosso. Comentar as qualidades do Cauby é quase impossível. Mas o Baú fez de maneira bonita. Teremos saudades deste admirável cantor. Qualquer musiquinha, ele transformava em sucesso. Ele se juntará no Baú da saudade, com Nelson Gonçalves, Elizete Cardoso, Anísio Silva, Silvio Caldas, Dircinha e Linda Batista, Maísa, a estrela Dalva, Selma Reis, e tantos outros, que estão no Panteão da Música Popular Brasileira.

    • admin disse:

      Caro Fernando

      Bom dia

      É gratificante quando recebemos um comentário elogioso. Obrigado, volte sempre.
      Fica aqui também nossa gratidão ao Samuel pelas resenhas elaboradas com esmero e que enriquece nosso pequeno espaço.

      Carlão
      Saúde, Paz e Bem

  • José Leite disse:

    Gostei dessa 1ª lembrança ao saudoso Cauby Peixoto. Gostaria que postassem mais sucessos do Cauby, dos anos 60, 70 e 80. Tem sucessos belíssimos que só ele sabia cantar.

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