Pedro Bento e Zé Da Estrada – Dama De Branco (1974)

Pedro Bento e Ze da Estrada

Resenha do LP Pedro Bento e Zé Da Estrada – Dama De Branco

O Baú de Long Playing apresenta hoje uma das mais queridas duplas sertanejas, Pedro Bento e Zé da Estrada.

Ambos são do interior de São Paulo. Joel Antunes Leme, o Pedro Bento, é de Porto Feliz, nascido em 8 de junho de 1934, e Waldomiro de Oliveira, o Zé da Estrada, de Botucatu, vindo ao mundo em 22 de setembro de 1929. Aos 16 anos, Pedro Bento já havia se transferido para São Paulo, e cantava ao lado de Ludovico Patrignani, sendo chamados de Matinho (Pedro Bento) e Matão. Apresentavam-se constantemente no programa de rádio “Casa do fazendeiro”, apresentado por Paiozinho e Zé Tapera. Por causa de uma excursão de Paiozinho, Matinho ficou com a responsabilidade de assumir o programa, resolvendo, por isso, procurar um novo parceiro. E o encontrou na pessoa de Waldomiro, que nas horas de folga, junto com Sílvio e Machadinho, integrava o Trio Minas Gerais. Waldomiro participava com os companheiros do programa de calouros de Chico Carretel , quando Matinho o convidou para formar a dupla. E Paiozinho os rebatizou com os nomes pelos quais ficariam conhecidos: Pedro Bento e Zé da Estrada. Acompanhados pelo sanfoneiro Coqueirinho, apresentavam-se com frequência no programa “Amanhecer da minha terra” da Rádio Bandeirantes. Foi aí que, influenciados pelo sucesso de Miguel Aceves Mejia, introduziram no mercado musical da viola elementos da música regional mexicana, sobretudo as canções rancheiras (daí terem recebido o cognome de “os amantes da rancheira”), com chapéus, fardões de mariachis e tudo, novidade recebida com enorme sucesso. Mas foi somente em janeiro-fevereiro de 1959 que Pedro Bento e Zé da Estrada conseguiram lançar seu primeiro disco, em 78 rpm, pela Continental, apresentando “Santos Reis” e o tango “Teu romance”. E no segundo 78, lançado em junho de 59, obtêm seus primeiros sucessos: a canção rancheira “Taça da dor” e o valseado “Seresteiro da lua”, que se tornariam permanentes no repertório da dupla. Outros sucessos deles: “Meu amigo, “Barbaridade”, “Mulher sem nome”, “Os três boiadeiros” (também título de um filme que estrelaram em 1978, enorme êxito de bilheteria), “Sete palavras”, “Mágoa de boiadeiro” (clássico que tirou o segundo lugar no Festival de Música Sertaneja da Rádio Nacional de São Paulo, hoje Globo, em 1967), “O peão que montou no diabo”, “Amanheci em teus braços”, “Progresso do Brasil”, “Peão de ouro”, “Rainha do salão”, “Rei da capa” , “Morrendo aos poucos”, “Tens que beber”, “Bebendo e chorando”, “Segura peão”, “Hei Barretos” , “Casa vazia”, “O amor e a rosa”, “Serenata do amor” etc.

Pedro Bento e Zé da Estrada têm uma vasta e expressiva discografia, perfazendo 16 discos em 78 rpm, 122 LPs e 24 CDs. Desse legado, o Baú de Long Playing foi buscar “Dama de branco”, álbum lançado pela Continental (selo Caboclo) em 1974. A faixa-título e de abertura é um boleraço assinado por Zé Matão e Vanderlei Martins, que logo alcançou sucesso e foi regravado por outras duplas. Temos ainda boas reinterpretações da dupla para os clássicos “Recordação” (de Goiá e Nenete), “Rei dos canoeiros” (de Zé Carreiro e Vieira) e “João-de-barro” (de Teddy Vieira e Muybo César Cury). Aliás, aqui vai uma curiosidade: foi ouvindo Pedro Bento e Zé da Estrada cantar “João-de-barro”, durante um show da dupla, que Sérgio Reis se interessou em também gravá-la. Foi aí que ele procurou Muybo Cury, parceiro do já falecido Teddy Vieira. Devidamente autorizado, Sérgio Reis fez sua gravação e transformou a música em hit nacional. O próprio Pedro Bento assina “Duelo de machão” e “Cachoeira do Mirante”, esta em parceria com Roque José de Almeida. Dorinho, da dupla com Nenete, assina “Onde está?”. O veterano Carreirinho ainda comparece com “Adeus Bahia”, parceria com Pedrão. Paxá (seria o da dupla com Paixão?) assina “Seu sucessor” (com um certo Corrente) e “Voa, meu pombo-correio” (com Mineiro). Tudo isso mais a faixa “Ciência do laço”, assinada por Leonardo Amâncio, compõe um dos melhores trabalhos fonográficos de Pedro Bento e Zé da Estrada, dupla que, em mais de 55 anos de trajetória artística, transformou-se em referência obrigatória quando se fala em música sertaneja, demonstrando extrema competência em tudo que fazem e continuando a receber o merecido aplauso do público. Ouça e confirme.

Texto: SAMUEL MACHADO FILHO

Pedro Bento e Zé Da Estrada – Dama De Branco

Álbum: Dama de Branco
Ano/Gravadora: (1974) CONTINENTAL 1-03-405-149 CLP 9202
Artista(s): Pedro Bento e Zé da Estrada
Acervo: Paulo Lucio
Formato: Vinil – 320 kbps

Fonogramas Lado A
A01. Dama de Branco – (Zé Matão/Wanderlei Martins)
A02. Duelo de Machão – (Pedro Bento)
A03. Recordação – (Goiá/Nenete)
A04. Ciência do Laço – (Leonardo Amâncio)
A05. Seu Sucessor – (Corrente/Paxá)
A06. Cachoeira do Mirante – (Roque José de Almeida/Pedro Bento)

Fonogramas Lado B
B01. João de Barro – (Teddy Vieira/Moybo Cury)
B02. Rei dos Canoeiros – (Zé Carreiro/Vieira)
B03. Onde Está – (Dorinho/Tapuã)
B04. Adeus Bahia – (Carreirinho/Pedrão)
B05. Tua Vitória – (Dino Franco/Mococa)
B06. Vôa Meu Pombo Correio – (Mineiro/Paxá)

Pedro Bento : Mega

Zé da Estrada : Zip

Dama de Branco : File

2 Comentários

  • gustavo disse:

    Uma sugestao de Dois LP´S

    MOCOCA E MORACI (1977) Minha História de Amor SERTANEJO/CHANTECLER N. 2.11.405.159

    LOURENÇO E LOURIVAL (1977) A Cruz Que Carrego SERTANEJO/CHANTECLER N. 2.11.405.180

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