Dalva de Oliveira – Vicentina de Paula Oliveira – Grossas Nuvens

Vicentina de Paula Oliveira

Dalva de Oliveira – Vicentina de Paula Oliveira – Grossas Nuvens de Amor – Resenha do Lp

O Baú de Long Playing tem a grata satisfação de oferecer, para os apreciadores da boa música, mais um álbum desta notável e inesquecível cantora que foi Vicentina de Paula Oliveira. Ou, como ficou para a posteridade, Dalva de Oliveira.

Ela veio ao mundo na cidade paulista de Rio Claro, onde inclusive é nome de praça, no dia 5 de maio de 1917, e era filha de um ferroviário que gostava de tocar e cantar em festas e grupos seresteiros. Foi justamente aí que a menina Vicentina, com o estímulo do pai, começou a desenvolver seu talento inato. Com o falecimento dele, a família (mãe e quatro filhas na ocasião, sendo a mais velha justamente Dalva) teve de se mudar para São Paulo. As meninas ficaram internadas num lar-escola de crianças pobres, a fim de permitir que dona Alice trabalhasse em serviços domésticos. Dalva então receberia noções musicais, e logo estaria também trabalhando com a genitora. No Hotel Metrópole, quando estava arrumando o salão de música, foi surpreendida pelo maestro da casa a cantarolar. Este a recomendou a um empresário, que a levou a mambembar, acompanhada da mãe, pelo interior de São Paulo e até Belo Horizonte, onde a modesta trupe teve que se dissolver.

Dalva continuou atuando no rádio mineiro até 1934, quando mudou-se para a então capital da República, o Rio de Janeiro. Para sobreviver, emprega-se numa fábrica de chinelos, onde volta a ser surpreendida cantarolando no trabalho. Desta vez, quem percebe as qualidades da futura estrela é o cantor de tangos Milonguita (Antonio Gomez), então gerente da empresa, o mesmo que levou Sílvio Caldas para o rádio anos antes. Aprovada num teste na Rádio Ipanema, Dalva passa a atuar em inúmeras emissoras, recebendo cachês. Tem aulas de canto, participa com Vicente Celestino de operetas e do elenco da “Casa de Caboclo”, que também contava com Ema D’Ávila e a dupla Alvarenga e Ranchinho, entre outros… Até que vem a conhecer Herivelto Martins, que formava com Nilo Chagas a Dupla Preto e Branco, e se une a eles para formar o fabuloso Trio de Ouro. Daí vieram o casamento, os dois filhos, Pery (aliás, Pery Ribeiro, outro grande e saudoso cantor) e Ubiratã, e as primeiras gravações, em 1937. Dalva chega às vezes a gravar sozinha ou em dueto com Francisco Alves, e seu prestígio se consolida cada vez mais durante os anos 1940. A ruidosa separação de Herivelto e Dalva, em 1949, encerra a primeira fase do Trio de Ouro e inicia de vez a carreira-solo da “rainha da voz”. Daí vieram êxitos sobre êxitos em disco (alguns deles constantes do presente LP). Dalva de Oliveira foi eleita Rainha do Rádio em 1951 e, um ano mais tarde, realizou uma longa e vitoriosa excursão pela Europa, onde inclusive cantou para a rainha da Inglaterra. Naquele país, gravou uma série de músicas com a orquestra do maestro e pianista Roberto Inglez (que na verdade era escocês), entre elas figurando os sucessos “Kalu”, “Fim de comédia” e “Folha morta”.

Já estava casada com o humorista argentino Tito Climent, então muito popular em seu país, adotando a menina Dalva Lúcia e passando então a residir na capital portenha, Buenos Aires, onde também consegue notável sucesso, a ponto de gravar tangos com Francisco Canaro, que pela primeira vez fazia tal concessão a uma mulher, e além disso estrangeira. Apesar de ter vivido cerca de dez anos na Argentina, Dalva não se deixava desligar do Brasil, para onde vinha se apresentar e gravar. De voz afinada e bela, com agudos fulminantes, Dalva de Oliveira ocupa o trigésimo-segundo lugar entre as maiores vozes da MPB de todos os tempos, segundo a revista “Rolling Stone”. Vítima de hemorragia no esôfago, Dalva de Oliveira faleceu no dia 31 de agosto de 1972, aos 55 anos, no Rio de Janeiro, deixando mais de quatrocentas gravações em disco.

Desta longa e expressiva bagagem fonográfica, o Baú de Long Playing foi buscar “Grossas nuvens de amor”, produzido em 1974 por Hermínio Bello de Carvalho. Não se trata de uma simples montagem. Segundo explica o produtor em nota na contracapa, as matrizes originais, gravadas em um ou dois canais, foram recopiadas em fitas de oito, com reprocessamento de mono para estéreo, e depois acrescido novo acompanhamento instrumental, com a colaboração de músicos renomados, como o saxofonista Paulo Moura, os violonistas Neco e Hélio, o baixista Luizão, o baterista Wilson das Neves, os ritmistas Marçal, Elizeu e Dozinho, e o maestro Lindolfo Gaya, que acresceu uma orquestra de cordas em algumas faixas. Assim, poderemos ouvir, em versões um pouco diferentes das originais, sucessos inesquecíveis de Dalva (“Que será?”, “Segredo”, “Há um Deus”, “Tudo acabado”, “Não tem mais fim”, “E a vida continua”, “Bandeira branca”, este praticamente o último grande hit carnavalesco nacional, lançado em 1970) e reinterpretações para outras músicas conhecidas. Na primeira faixa, “Pela décima vez”, de Noel Rosa, Dalva é curiosamente acompanhada ao violão pelo próprio Hermínio Bello de Carvalho, em gravação doméstica. Nas palavras dele mesmo, de Dalva de Oliveira o amor fez o que bem entendeu: “judiou no que pôde, maltratou como não devia. Mas ela tudo aceitou, e as marcas estão visíveis por aí, nas canções que viveu”. Agora, é ouvir e lembrar com carinhosa saudade esta que foi, é e sempre será “a rainha da voz”: Dalva de Oliveira!

Texto de: SAMUEL MACHADO FILHO

Dalva de Oliveira – Vicentina de Paula de Oliveira – Grossas Nuvens de Amor (1974)

Álbum: Grossas Nuvens de Amor
Ano/Gravadora: (1974) Odeon SBRXLD-12.648
Artista do Álbum: Vicentina de Paula Oliveira – Dalva de Oliveira –
• As matrizes originais, gravadas em 1 ou 2 canais, foram recopiadas em fitas de 8. Pelo processo de play-back, foram inicialmente reforçadas as partes de percussão, pelo baterista Wilson das Neves e os ritmistas Marçal, Elizeu e Dazinho e as de baixo, pelo baixista Luisão. Posteriormente, o maestro Gaya acrescentou cordas em algumas faixas, e as mesmas foram complementadas pelos músicos: Paulo Moura (Saxofone), Chiquinho (Cordovox), Neco e Hélio (Violões)
• A música ”Pela décima vez”, introdutória do disco, foi gravada na casa de Hermínio Bello de Carvalho, tendo este a acompanhá-la ao violão.
Acervo: Azul
Formato: Vinil – 320 kbps

Fonogramas Lado 1
A01. Pela Décima Vez – (Noel Rosa) 1967
A02. Que será? (Mário Rossi – Marino Pinto) 1950
A03. Tu Me Acostumastes – (Tu Me Acostumbraste) (F.Domingues. Vrs:Carlos Brandão) 1962
A04. Teus Ciúmes – (Lucy Martins – Aldo Cabral) 1957
A05. Há um Deus – (Lupicínio Rodrigues) 1957
A06. Segredo – (Marino Pinto – Herivelto Martins) 1972
A07. Aves Daninhas – (Lupicínio Rodrigues) 1962
A08. Dois Corações – (Waldemar Gomes – Herivelto Martins) 1972
A09. E A Vida Continua – (Jair Amorim – Evaldo Gouveia) 1962

Fonogramas Lado 2
B01. Bandeira branca – (Laércio Alves – Max Nunes) 1969
B02. Mãe-Maria – (Gustavo Mesquita – David Nasser) 1960
B03. Coqueiro Velho – (Fernando Martinez Filho – José Marcílio) 1960
B04. Tudo Acabado – (Oswaldo Martins – J. Piedade) 1950
B05. Não Tem Mais Fim – (Hervé Cordovil – René Cordovil) 1958
B06. Saia Do Meu Caminho – (Evaldo Ruy – Custódio Mesquita) 1955
B07. Tudo Foi Surpresa – (Peterpan – Valsinho) 1967
B08. Folhas No Ar – (Élton Medeiros – Hermínio Bello de Carvalho)1967
B09. Onde Estás, Voração? – (Donde estás corazon) – (Luis Martinez Serrano, Augusto Berto. Vrs: Ubirajara Silva) 1960

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1 Comentário

  • Nelson disse:

    Nunca poderia imaginar, que o correto nome da Dalva de Oliveira, era esse, rsrsrs…
    É sempre muito bom revermos artistas incríveis como essa,
    com voz única, em sucessos muito bem escolhidos!
    Valeu pelo rico histórico e pelo capricho de sempre nas postagens maravilhosas!
    Abraços/Nelson

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